• Stella Apostolopoulos

Dor Muscular Tardia


Quem nunca teve dor muscular após "abusar" na atividade física um dia!? Essa sensação de dor ou desconforto na musculatura após um certo tempo da prática de atividade física é chamada de dor muscular tardia. Ela pode deixar seu músculo sensível ao toque ou até mesmo um pouco inchado, e não está relacionado a qualquer trauma ou contusão ("batidas").

Ocorre em indivíduos que iniciaram ou reiniciaram uma atividade física após um período de inatividade ou aumento na intensidade desproporcional ao condicionamento físico atual.

A dor não se manifesta até aproximadamente 8 horas após o exercício. Ela vai surgindo e aumentando de intensidade nas primeiras 24 horas e alcançando seu máximo de intensidade entre 24 - 72 horas, com declínio progressivo dentro de 5 a 7 dias. Deve desaparecer completamente após este período.

Ainda não é muito bem entendida a causa do surgimento da dor muscular tardia, mas sabe-se que estão relacionadas a microrupturas das fibras musculares por sobrecarga mecânica. Tal Sobrecarga provoca um processo inflamatório que conduzirá à reparação muscular das microlesões (surgimento de células e substâncias inflamatórias, associado a aumento de cálcio e proteínas intracelulares).

A dor muscular tardia é mais comum quando realizamos exercícios excêntricos (discutido no primeiro tema do post lesões musculares - Link), uma vez que são exercícios de maior tensão na célula (fibra) muscular.

Pode ocorrer em diferente magnitudes, de acordo com dano muscular provocado pelo exercício. Fundamental comentar, que treinos que visam hipertrofia sempre acabam por provocar PEQUENAS microlesões musculares com fins de levar a hiperplasia da fibra muscular. Deve-se saber dosar o nível de tensão x repetição das séries para que a intensidade do treino não provoque "maiores microlesões" causando dano estrutural importante, a ponto de levar ao prejuízo e não ao fortalecimento muscular (portanto, sempre com acompanhamento do educador físico).

Durante muito tempo, acreditava-se que a principal causa da dor muscular tardia seria o acúmulo de ácido lático no tecido muscular, mas NÃO é isso que ocorre. O lactato (e não ácido lático) é produzido pelo músculo quando ele utiliza uma dos três mecanismos de obtenção de energia para realizar movimento (vide tabela abaixo):

Quando realizamos exercícios extenuantes (curta/moderada duração e alta intensidade), o oxigênio necessário para o mecanismo aeróbico se torna limitante, fazendo com que o músculo utilize outro mecanismo para ganho rápido de energia através da quebra da glicose sem o uso de oxigênio, o chamado METABOLISMO ANAERÓBICO LÁCTICO, cujo produto final não é o CO2, mas sim o lactato.


O nível de lactato sanguíneo é normalizado em cerca de 30 a 90 minutos, sendo principalmente metabolizado pelo fígado. Dessa forma, o acúmulo de lactato dura no máximo 2 horas, o que não sugere relação com a dor muscular tardia.

OBS: os mecanismos energéticos musculares, a produção de lactato, acidose metabólica, VO2, são todos mecanismos adaptativos do nosso corpo relacionados com o nível de treinamento e prática da atividade física. Poderão ser explicados em posts futuros.

Resumidamentes:

TRATAMENTO DURANTE A CRISE DE DOR:

  • alongamentos

  • Massagem

  • Antiinflamatórios e relaxantes musculares

  • Crioterapia / imersão água gelada


Fonte: http://globoesporte.globo.com/basquete/noticia/2014/08/mundial-ao-lado-de-alex-varejao-posa-na-banheira-de-gelo-apos-vitoria.html

Crioterapia (gelo) / imersão na água gelada a 10 – 15 graus

- permanecer por cerca de 10 a 30 minutos

- diminui inchaço e dor: diminuindo a vasodilatação, processo inflamatório e velocidade de condução nervosa da dor

PREVENÇÃO

  • Treinamento físico periódico: irá aumentar a resistência da fibra muscular diminuindo o dano estrutural, evitando a ocorrência da dor muscular tardia

  • Redução do componente excêntrico da ação muscular durante o treinamento inicial Treinamento físico periódico: irá aumentar a resistência da fibra muscular diminuindo o dano estrutural, evitando a ocorrência da dor muscular tardia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Laurino, C. F. S.: • Fraturas de estresse e sobrecargas ósseas• Lesões musculares• Tendinopatias - Atualização em Ortopedia e Traumatologia do Esporte.

Ascensão, A. Magalhães, J. Oliveira, J. Duarte, J. Soares, J. - Fisiologia da fadiga muscular. Delimitação conceptual, modelosde estudo e mecanismos de fadiga de origem central e periférica - Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2003, vol. 3, nº 1 [108–123]

Tricolo, V.- Mecanismos envolvidos na etiologia da dor musculartardia - Artigo de Revisão - Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília v. 9 n. 2 p. 39 - 44 - abril 2001

Manesco, C. F. - FISIOLOGIA DA DOR MUSCULAR TARDIA - 8ª Mostra acadêmica - UNIMEP

Bertuzzi, R. C. M. Silva, A. E. L. Abad, C. C. C. Pires, F. O - Metabolismo do lactato: uma revisão sobre a bioenergética e a fadiga muscular - Artigo de Revisão - Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2009, 11(2):226-234

Baroni, B. M. Leal Jr, E. C. P. Generosi, R. A. Grosselli, G. Bertolla, F. -Efeito da crioterapia de imersão sobre a remoção do lactato sanguíneo após exercício. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2010, 12(3):179-185

IMAGENS:

http://slideplayer.com.br/slide/1257474/

-http://www.treinoemfoco.com.br/opiniao-qualificada/opiniao-qualificada-carga-para-o-aumento-do-volume-muscular/

- http://www.ebah.com.br/content/ABAAAg_JkAK/fisiologia-exercicio?part=4

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